Bem-vindo,

Está num espaço de aprendizagem da Unidade Curricular (UC) "Media Digitais e Socialização". Neste espaço estão sintetizadas as actividades e as aprendizagens efectuadas e os sentimentos que vivenciei entre Março e Julho de 2010 enquanto estudante desta UC, do Mestrado de Comunicação Educacional Multimédia, da Universidade Aberta (Lisboa, Portugal).

Imab

quarta-feira, 14 de julho de 2010

NATIVOS DIGITAIS VS IMIGRANTES DIGITAIS

Tema: Perfil do estudante digital
Objectivo: Identificar e discutir as características atribuídas ao estudante digital.

Competências: Definir o perfil do estudante digital.

Actividades: as actividades deste tema consistiram em desenvolver em grupo o perfil do estudante digital, dar a conhecer o trabalho aos restantes grupos e de seguida efectuar a discussão entre todos.

Duração: De 4 a 28 de Março.

Recursos de Aprendizagem: Prensky, M. (2004) The Emerging Online Life of the Digital Native: What they do differently because of technology and how they do it. 1-14.
Prensky, M. (2001) Digital natives, digital immigrants. In On The Horizon (Vol9, nº 5). NCB University Press.
Fonte: Silva, M., 2010, UC Medias Digitais e Socialização, Plataforma de aprendizagem da Universidade Aberta

Aprendizagens efectuadas
Esta temática foi um estímulo à pesquisa e reflexão. De facto, nesta “correria” do dia-a-dia em que as atenções estão focalizadas em assuntos paralelos, alguma da realidade que nos rodeia é incorporada sem  dedicar-lhe uma reflexão sistematizada e significativa. Esta temática contribuiu para reflectir sobre as diferenças existentes entre os nativos e os imigrantes digitais  e sobre a problemática que envolve o contexto educacional e os sistemas associados com a introdução das tecnologias de informação e comunicação.

Ao longo da evolução e desenvolvimento do homem/ sociedade houve sempre períodos de transicção que exigiram maior ou menor adaptação dos principais intervenientes e agentes, no momento. O período em que vivemos tem sido muito exigente para os que já estão no activo e que não tiveram na sua “formação educacional” contacto com os media digitais. Actualmente coexistem no mercado os que tiveram de se adaptar com os que já nasceram e estão a desenvolver-se no novo contexto.

A escola não pode nem deve esquecer o seu “core Business” mas deve incorporar o que a tecnologia (meios digitais, instrumentos…) lhe proporciona assim como a ciência da educação (novas abordagens de ensino e aprendizagem) no sentido de efectivar o seu papel como agente de mudança.

Existe de facto diferenças entre a substância e a forma como aprendem as crianças e os jovens e o processo de ensino e aprendizagem formal proporcionado pelo sistema educacional. Os media digitais e sobretudo a Internet estão a revolucionar os vários sub-sistemas da sociedade e todos somos influenciados por aquelas . Tal como refere Prensky, provavelmente até os cérebros estarão diferentes daqueles que são considerados os estudantes digitais. Os contextos educacionais têm de rever as metodologias pedagógicas (terão de traçar estratégias pedagógicas adequadas às características dos estudantes. As metodologias têm de ser mais variadas com recurso a várias técnicas, visando a construção da aprendizagem partilhada e significante) de forma a integrarem os media digitais e retirarem todo o seu potencial na formação das crianças, jovens e educadores. Os educadores têm de ajustar o seu papel ao de orientador na pesquisa e na construção do conhecimento significativo, têm de orientar os estudantes ao nível das competências básicas de adaptabilidade, de reflexão e crítica, tem também de vê-los como parceiros activos no processo de ensino-aprendizagem, assim como têm de estar abertos a partilhar com os seus pares, têm de estar receptivos a aperfeiçoar o seu conhecimento e as competências de forma contínua (estes profissionais terão de estar receptivos a aprender para além das temáticas específicas da sua formação académica. Terão de efectuar aprendizagens transversais e estruturantes neste novo contexto educacional, tais como ao nível dos recursos multimédia e medias digitais, trabalho de projecto, motivação e criatividade, resolução de problemas, metodologias e técnicas pedagógicas, empreendedorismo.Terão de criar e participar em grupos de trabalho nas instituições, tendo em vista a compreensão do perfil do estudante actual e a melhoria da adequabilidade da “instrução”. ).  No entanto, a utilização e a aplicação dos media digitais estará muito dependente do que estas representam para cada um.

As crianças e jovens estudantes, devido às tecnologias de informação e comunicação têm à sua disposição condições de aprendizagem que também exigem destes, novos comportamentos no contexto educacional e em todos os sectores da sociedade, pretende-se que caminhem para uma maior autonomia e responsabilidade e que desenvolvam atitudes de partilha e de colaboração.

Considerando o exposto, todos os que estão envolvidos directamente neste processo devem ter sempre presente que a finalidade da educação é formar pessoas para serem capazes de se "governarem"sozinhos e não serem "governados" pelos outros.

A informação divulgada pela colega Anabela, sobre a comparação entre alunos e professores, disponível em  http://www.scribd.com/doc/9196803/Estudantes-Nativos-Digitais-Tabela,  é uma síntese interessante sobre o a diferença entre como se ensina e como se aprende na maioria dos casos no contexto educacional. Segue-se a descrição:


Estudantes nativos digitais preferem: Receber rapidamente informação de múltiplas fontes; Realizar múltiplas tarefas em simultâneo (estudar, ouvir música, enviar mensagens); Aprender através de vídeos, imagens e sons em vez de textos; Preferem chegar à informação de forma aleatória, explorando os hiperlinks de modo livre e caótico; Estarem conectados e interagirem com muitas pessoas, em simultâneo; Aprenderem “just-in-time”; Serem gratificados instantaneamente e receber prémios imediatos; Estão orientados para o jogo, preferem aprender o que é relevante, imediatamente útil e divertido.



Professores imigrantes preferem: Transmissão da informação de forma lenta e controlada, com recursos a fontes limitadas como as aulas e os manuais escolares; Realizarem uma tarefa de cada vez; Ensinarem recorrendo ao texto do manual escolar; Seguirem o programa da disciplina e transmitirem a informação de forma lógica e sequencial; Que os estudantes trabalhem sozinhos; Ensinarem “just-in-case”; Adiarem as gratificações e os prémios para o final do período ou do ano lectivo; Serem orientados para o trabalho, limitando-se a cumprir o programa e a fazerem os testes de avaliação.



O desenvolvimento contínuo provoca mudanças que têm de ser interpretadas pelo sistema educacional (em sentido lato) de forma a identificar os conhecimentos e as competências técnicas necessárias na sociedade, incluindo as relacionadas com carácter, valores e atitude. Os futuros profissionais estarão devidamente estimulados para a utilização das tecnologias de informação e de comunicação. Estas fazem "parte de si", para além dos conhecimentos que possuem.




Trabalho desenvolvido
Efectuei as leituras recomendadas e desenvolvi a actividade de grupo integrada no Grupo Amarelo, com mais três colegas. No início da actividade fiz uma proposta de planeamento do trabalho junto dos restantes elementos do grupo. Contribui para o conteúdo base dos slides e sugeri alterações na fase de revisão.

No âmbito do fórum de discussão contribui com a minha opinião para as duas questões (Sabendo nós da inevitável alteração do perfil das crianças/jovens enquanto estudantes/cidadãos, que desafios se colocam a quem tem a tarefa de os instruir/formar? ; Estarão melhor preparados para o futuro, do que as gerações que se encontram activas profissionalmente, mas que não nasceram no contexto tecnológico que se assiste nos dias de hoje? Se sim, em que aspectos?) formuladas pela professora da UC.

Dificuldades sentidas durante a realização das actividades
No período em que decorreu esta temática estava com pouquissíma disponibilidade.

Durante a realização da actividade de grupo houve algumas dificuldades de comunicação devido à utilização de canais diversificados e não comuns a todos os elementos. Este facto teve algumas desvantagens. 

Pertinência das actividades para a aprendizagem
As actividades desenvolvidas no âmbito do tema foram adequadas e contribuíram para efectuar novas aprendizagens. A pesquisa e as leituras efectuadas contribuíram de forma significativa para além da discussão realizada.

CULTURA DIGITAL - TERMINOLOGIA

Tema: Construção de Glossário
Objectivo: Definir conceitos e termos utilizados na cultura digital.

Competências: Adquirir competência no uso da terminologia e dos conceitos associados à cultura dos nativos digitais.

Actividades: Cada estudante teria de efectuar a descrição de 3 conceitos ou termos, identificados na lista disponibilizada.

Duração: De 16 de Março e 01 de Junho.
Fonte da actividade: Silva, M., 2010, UC Médias Digitais e Socialização, Plataforma de aprendizagem da Universidade Aberta.

Trabalho desenvolvido
Esta actividade foi desenvolvida individualmente. Os termos sobre os quais incidiu a minha pesquisa inicial foram: Wireless Network, Wikipedia e YouTube. Posteriormente, e na sequência da solicitação da professora, disponibilizei-me para fazer a pesquisa sobre mais 3 termos/conceitos: Personalization (Customization), Photo-Sharing Services e Platform Provider.

Wireless Network : significa rede sem fios. É uma rede que possibilita a comunicação entre dois ou mais terminais sem a existência de uma ligação telegráfica. É geralmente implementada com um sistema remoto de transmissão de informações através de ondas electromagnéticas.
Este tipo de rede permite ao utilizador a conexão até a um perímetro geográfico considerável permitindo-lhe desta forma mobilidade.
A instalação deste tipo de rede não é onerosa nem complexa.

Wikipédia: é a enciclopédia mais universal que temos. É uma enciclopédia online, multilingue, escrita de forma colaborativa, livre e voluntária, e baseia-se no sistema wiki.
Foi criada em 15 de Janeiro de 2001. Desde dessa data, tem crescido de forma exponencial, quer na informação que disponibiliza, quer em popularidade. De acordo com dados de Abril do corrente ano, a wikipédia tem mais de 15 milhões de artigos.
Qualquer artigo pode ser transcrito, modificado e ampliado por qualquer indivíduo com acesso à Internet.
A GNU e a Creative Commons Attribution-Share-Alike são as detentoras da licença, a Wikimedia Foundation faz a sua gestão e operacionalização.

YouTube: foi criado em Fevereiro de 2005. Permite o carregamento/alojamento e partilha de vídeos (filmes, videoclipes e material do género mais amador) em formato digital. É actualmente o site do género mais popular. A disponibilização do conteúdo é efectuada através do formato Adobe Flash e é de utilização acessível e fácil.

Personalization (Customization) : Se estivermos a analisar o conceito no âmbito das páginas web estas são personalizadas com base nas características (interesses, categoria social, contexto, ...) de um indivíduo. A personalização implica que as mudanças sejam baseadas em dados implícitos, como os itens comprados ou páginas visualizadas. O termo customização é usado quando o site usa somente dados explícitos, como avaliações ou preferências. Um outro exemplo, numa intranet, esta tem muitos atributos do utilizador, como por exemplo, departamento, área funcional ou função. Aqui o termo customização refere-se à capacidade do utilizador para modificar o layout da página ou especificar o conteúdo que deve ser visualizado.

Photo-Sharing Services: Serviço que permite a organização, armazenamento e a partilha de fotos digitais. Estes serviços facilitam o carregamento e a exibição das imagens e proporcionam diversas formas de visualizar assim como funcionalidades adicionais (por exemplo a colocação de legendas). Este serviço de partilha de fotografias não se limita à Web, os telemóveis com câmara também permitem este serviço.

Platform Provider: Uma platform provider descreve uma espécie de arquitectura base de hardware e estrutura de software que permite software para executar. Pode ser disponibilizada por prestadores de serviços de sistemas de software.

IDENTIDADE SOCIAL NA ADOLESCÊNCIA

Tema: Discussão do Processo de Construção da Identidade na Adolescência

Objectivo: Identificar as características e discutir o processo de construção de identidade na adolescência.

Competências: Analisar o processo de construção da identidade durante o período da adolescência.
Actividades: Leitura e síntese dos textos disponibilizados nos recursos de aprendizagem e discussão no fórum sobre o conteúdo dos textos.

Duração: De 29 de Março a 18 de Abril.

Recursos de Aprendizagem: Huffaker, D.; Calvert, S. (2008). Gender, Identity and Language Use in Teenage Blogs. In Journal of Computater-Mediated Comunication, 10 (2), article 1.
Schmitt, K.; Dayanim, S.; & Matthias, S. (2008). Personal Homepage Construction as an Expression of Social Development. In Development Psychology, 44 (2), 496-506.

Recurso Complementar: Schoen-Ferreira, T.; Aznar-Faria, M.; Silvares, E. (2003). A construção da identidade em adolescentes: Um estudo exploratório. In Estudos de Psicologia, 8 (1), 107-115.
Fonte: Silva, M., 2010, UC Médias Digitais e Socialização, Plataforma de aprendizagem da Universidade Aberta

Aprendizagens efectuadas
De acordo com Erik Erikson, a construção da identidade passa por um processo de identificação e por um processo de diferenciação. Este processo de construção da identidade não é algo que inicia e acaba com a adolescência, é um processo contínuo de interacção de equilíbrio e desiquilibrio ao longo da nossa vida, que integra mudanças pessoais e diversas ocorrências, no entanto, é na adolescência que este processo ganha importância, é mais marcado e assume características particulares marcando a passagem de um estádio de maior dependência para um estádio de conquista de maior independência. A criança que era e que agora é adolescente tem maiores capacidades para agora reflectir.

A criança passa ao estádio de adolescente quando o seu fisíco começa a manifestar transformações, quando este é também acompanhado pelo desenvolvimento cognitivo e pelo desenvolvimento da personalidade (interesse pelo eu, alterações no relacionamento com os adultos, particularmente com os familiares mais próximos, e pela valorização dos amigos e grupo de pertença).

Seguindo Erikson a construção da identidade ”implica em definir quem é a pessoa que é, quais são os valores e quais as direcções que deseja seguir na vida”. A construção da identidade no adolescente decorre de factores pessoais (intrapessoais: capacidades inatas do indivíduo e as adquiridas da personalidade) e sociais (interpessoais: identificação com outros; e culturais: valores sociais) e tem uma função psicológica e social, isto é, o adolescente desenvolve-se psicologicamente para assumir esta transformação e ao fazê-lo terá de ser adequada à sociedade onde está integrado.

O adolescente gradualmente vai estabelecendo vínculos fora do seio familiar, com outros adolescentes, com amigos, integrando o grupo com o qual se identifica e atribui-lhes muito valor e relevância. No seio do grupo procura ser aceite e construir a sua identidade. O adolescente experimenta atitudes, comportamentos e desafios novos, faz introspecções e reflexões.

De acordo com Erikson e face às incertezas constantes com que vive o adolescente, o grupo tem um papel fundamental na estabilidade e na procura da certeza, mas também pode ser negativo se o estado de dependência em relação ao grupo for demasiado elevado. Para Erikson a crise da adolescência desenvolve-se entre dois vectores, identidade versus difusão ou confusão. Durante este processo interactivo o adolescente também cria os seus estereótipos de grupo e sociais.

Outros autores (Marcial) referem que existem duas dimensões fundamentais que contribuem para a construção da identidade do adolescente: a crise ou exploração (está relacionado com a tomada de decisão relativamente a valores e escolhas já efectuadas no passado e que geram conflito interno de forma intensa ou gradual) e o comprometimento ou compromisso (está relacionado com a decisão tomada que lhe parece ser segura e que serve de orientação para a acção. Está relacionado com o que valoriza mais para si).

No final deste estádio, o adolescente sente indicadores de equilíbrio que lhe permitem sentir uma "continuidade interna" e "uma continuidade do que ele significa para as outras pessoas" como refere Erickson.

Actualmente em todo este contexto de construção da identidade por parte do adolescente, têm de ser considerados no grupo dos factores externos, as TIC (tecnologias de informação e comunicação). Estes meios e os factores decorrentes da sua utilização influenciam a construção da identidade dos jovens. Esta constrói-se sobretudo na interacção com os outros e as TIC possibilitam o aumento e multiplicação da interacção. Provavelmente no contexto presencial a interacção é mais diversificada (com outras pessoas idades diferentes) do que no contexto virtual em que as relações estão mais limitadas a outros adolescentes.

Na opinião de alguns psicanalistas, a geração nascida depois dos anos 90 poderá estar a construir uma visão deturpada do mundo (?) e da sua própria identidade (?): movimentam-se num “espaço” onde tudo é alterado de forma frequente e facilmente; onde as relações facilmente começam e acabam (basta um clique); podem mudar de perfil trocando a informação sobre a identidade de forma rápida; a rotina da vida real e os relacionamentos reais têm um ritmo menos acelerado e este facto pode provocar frustrações e desmotivação reflectindo-se no comportamento; estão habituados a dominar a sua identidade no ambiente virtual quando se movimentam no ambiente real podem estar mais vulneráveis;...entre outros aspectos.
Os adolescentes comunicam na Internet, nas redes sociais, de uma forma generalizada, através da linguagem com que se identificam nas relações interpessoais que estabelecem com os seus conhecidos e amigos. Tem marcas fortes de oralidade, da linguagem que utilizam presencialmente: gíria, símbolos e pontuação excessiva. Nos estudos de Huffaker e Calvert constataram esta associação. É através desta linguagem que o adolescente expressa as suas angústias, tristezas, alegrias, a sua individualidade, que integra-se e constrói a sua identidade interagindo no ambiente virtual utilizando os diversos meios. Recolhe informação, convive, explora alternativas, e segue a “ actualidade”. Este contexto também contribui para a aproximação e "esbatimento" de diferenças sociais que até aqui eram facilmente categorizadas e que influenciam a construção da identidade.

A maioria dos adolescentes mantêm a escrita formal em contextos que exigem a mesma. Têm consciência desta diferença e exigência.

De acordo com os estudos de Huffaker (2008) e Schmidt (2008) as páginas pessoais dos adolescentes têm um papel relevante na construção da sua identidade. Usam-na para expressarem-se, socializarem-se e confidenciarem. Partilham alguns pormenores sobre a sua identidade (identificação do primeiro nome (70%), o nome completo (para os iniciados) (20%), a idade (67%), o endereço de e-mail ou instant messsenger ou link para o blog (61%)), a sua sexualidade e outros elementos emocionais. Genericamente a ideia que transmitem da sua própria imagem é positiva. Verificam-se pequeníssimas diferenças (são extremamente insignificantes) entre os rapazes e as raparigas,  na forma como demonstram as emoções, o que partilham relativamente aos dados pessoais e o tipo de linguagem. A construção destas páginas também proporciona-lhes segurança (e competências) e valorização da sua auto-estima. São espaços de utilização fácil e simples, que permitem a actualizações de forma rápida, assim como o arquivo de informação, que possibilitam a comunicação assíncrona e a formação de grupos online com os mesmos interesses.

Por outro lado, o anonimato que a Internet também possibilita, proporciona ao adolescente condições para explorar a sua identidade, assumindo outras personagens e papéis e construir também o seu imaginário. Estas possibilidades influenciam o seu comportamento.

Actualmente existe uma grande preferência por parte dos adolescentes pela utilização e participação em redes sociais, particularmente pelo Facebook e H5. Este facto deve-se a que estas possibilitam mensagens curtas, rápidas e estão integradas com outros dispositivos móveis por exemplo com o telemóvel. A participação nas comunidades sociais contribuem igualmente para a sua socialização e integração no grupo.

Outro aspecto, que também foi objecto de reflexão no âmbito desta temática, foi a diferença de conhecimentos sobre os meios virtuais existente entre educadores e educandos/adolescentes. Este facto conduz a dificuldades de comunicação, dado que a “linguagem” utilizada é distante e este facto tem significativas consequências neste estádio de desenvolvimento do adolescente.

Trabalho desenvolvido
Efectuei as leituras propostas e fiz as sínteses dos dois textos. Fiz pesquisa sobre o assunto estando alguns dos recursos identificados no tópico dos recursos. No âmbito do fórum de discussão fiz a intervenção que considerei adequada ao assunto no momento em que a emiti.

Dificuldades sentidas durante a realização das actividades
A forma como teve início o fórum de discussão dispersou-me um pouco, devido ao elevado número de tópicos abertos. Rapidamente contextualizei-me e posicionei-me face ao objectivo pretendido. No período em que decorreu a temática estava com pouquissíma disponibilidade.

Pertinência das actividades para a aprendizagem
As actividades desenvolvidas (leituras, síntese e discussão) foram adequadas ao objectivo da temática em causa. Através destas fez-se a integração na problemática da construção da identidade por parte dos adolescentes nos "nossos dias" e decorrente desta, analisou-se e discutiu-se a influência das TIC neste estádio de desenvolvimento do adolescente.

MEDIA DIGITAIS E CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE SOCIAL

Tema: Actividades Sociais e Desenvolvimento da Identidade nos Jovens

Objectivo: Reconhecer a influência dos media digitais na construção da identidade social dos jovens.

Competências: Analisar e discutir o papel dos media digitais na construção da identidade social dos jovens.

Actividades: Leitura e síntese de um dos textos disponibilizados nos Recursos a desenvolver em grupo. Disponibilização da síntese para todos os grupos e realização de discussão geral/debate.

Duração: De 19 de Abril a 9 de Maio.

Recursos de Aprendizagem: Texto 1 - Weber, S.; Mitchell, C. (2008). Imaging, Keyboarding, and Posting Identities: Young People and New Media Technologies. In Youth, Identity, and Digital Media: 25-47.
Texto 2 - Stern, S. (2008). Producing Sites, Exploring Identities: Youth Online Authorship. In Youth, Identity, and Digital Media: 95-117.
Texto 3 - Boyd, D. (2008). Why Youth ♥ Social Network Sites: The Role of Networked Publics in Teenage Social Life. In Youth, Identity, and Digital Media: 119-142.
Texto 4 - Stald, G. (2008). Mobile Identity: Youth, Identity, and Mobile Communication Media. In Youth, Identity, and Digital Media: 143-164.
Texto 5 - Goldman, S.; Booker, A., & McDermott, M. (2008). Mixing the Digital, Social, and Cultural: Learning, Identity, and Agency in Youth Participation. In Youth, Identity, and Digital Media: 185-206.
Texto 6 - Yardi, S. (2008). Whispers in the Classroom. In Digital Youth, Inovation, and the Unexpected: 143-164.

Bibliografia Complementar
http://cies.iscte.pt/destaques/documents/E-Generation.pdf
Fonte : Silva , M., 2010, Médias UC Digitais e Socialização , Plataforma de Aprendizagem da Universidade Aberta

Aprendizagens efectuadas
"Internet e seus recursos proporcionam a sensação de aventura, poder, alegria, crescimento, transformação de si e do mundo e, ao mesmo tempo, dão unidade e dispersão (...) [há uma busca] de integração, de interacção, de descoberta de si e do outro, e assim se constroem identidades múltiplas, diversas e virtualizadas. (OLIVEIRA, 2004)".

É claro e está confirmado o valor significativo que os medias digitais (genericamente as TIC) têm na construção da identidade social dos adolescentes e jovens. Estes meios fazem parte integrante da sua vida, são o prolongamento do seu “eu”(capacidades, necessidades, hábitos e rotinas…), e são veículos de interacção, de conhecimento, de construção, de “reinvenção” e de desafios. Contribuem para o seu desenvolvimento cognitivo, social e emocional. Os adolescentes e jovens, utilizam-nos para as suas actividades de socialização e construção da sua identidade.

Na comunicação que estabelecem, independentemente do canal utilizado expressam elementos da sua identidade, incorporam outros e também promovem. Enquanto vão interagindo vão construindo os seu traços de identidade e vão-se ajustando conforme as preferências, o sentimento de pertença e de identificação. Existe uma influência mútua entre o contexto em que se movimentam e o seu “eu”.

O telemóvel é um dos media digitais mais utilizados pelos adolescentes na sua interacção social. Através dele falam, escrevem, lêem SMS, ouvem música, tiram fotografias, partilham informação, acedem à Internet, etc. A maioria não consegue imaginar a sua vida sem este meio de comunicação (e de informação). A sua suposta perca é algo sentido como um corte com a rede social como algo semelhante a estar afastado do mundo. Através do telemóvel mantêm a sua rede social, os laços com o grupo de pertença e constroem a sua identidade. O telemóvel é utilizado em múltiplas situações do dia-a-dia, quando querem partilhar um desgosto, dizerem o que estão a pensar, para
questionarem, para comunicarem que estão felizes, etc., etc. Esta comunicação é feita por diversas formas (mensagens, voz, toques…) algumas das quais bastante codificadas. Esta possibilidade de interacção contínua, sempre que querem e sem marcas da distância (espaço virtual), dá-lhes segurança e confiança, possibilita-lhes estarem fisicamente num local e mentalmente em outro. O telemóvel permite-lhes saírem de zonas de desconforto que eventualmente vivenciam em determinados momentos da vida para passarem para zonas de conforto, através da interacção “virtual”. Esta possibilidade transmite-lhes reconhecimento social e sentimento de pertença, os quais são importantes na construção da sua identidade. A comunicação que estabelecem é predominantemente com os amigos. A utilização do telemóvel é também partilhada com os outros media digitais em simultâneo. A utilização do telemóvel em alguns momentos é também visto como um intruso social, quando a sua utilização vai contra as regras de etiqueta, quando se está fisicamente num espaço social e “virtualmente” em contacto com outro, e pode causar stress e frustrações quando as expectativas tidas sobre a sua utilização são defraudadas, por exemplo, quando pretende contactar um amigo e este não atende. A maioria dos jovens não o desliga, nem em situações em que é proibida a sua utilização, colocam-no em silêncio. Quando dormem, está sempre por perto, na mesinha de cabeceira ou até junto à almofada. Estes elementos demonstram bem a necessidade que os adolescentes sentem em estarem sempre contactáveis (para emitir ou receber) e estarem disponíveis. Este reconhecimento (disponibilidade, presença) é importante no seio do grupo de pertença. O telemóvel representa os seus acessos ao Network social. O número do telemóvel representa o “motor” do veículo, para a vida social, para as redes sociais e representa a ligação com estes contextos através do tempo.

As redes sociais fazem também parte do contexto onde os adolescentes se movimentam muito bem e o qual contribui para a sua socialização, integração no grupo, reconhecimento social, autonomia, liberdade e construção da identidade. Neste espaço virtual, em que não estão sujeitos às regras parentais e escolares os adolescentes e jovens partilham interesses e vivências, correm riscos por sua conta (a maioria não é acompanhada), aprendem e vão-se posicionando quanto à sua identidade. Estes espaços representam também um meio para se manifestarem e participarem na sociedade. Uma boa parte dos adolescentes têm consciência dos conceitos de público e privado diferente do que os adultos têm, devido à influência das redes sociais, este factor também influência a forma como interagem e integram estes elementos, na construção da sua identidade.

Alguns exemplos de intervenções práticas/projectos descritos sobre a utilização das tecnologias de informação e comunicação por parte dos jovens, com a participação de adultos, demonstram que um contexto com estas variáveis, potencia condições para existir aprendizagem entre os dois grupos e tem formas enriquecedoras de construção e desenvolvimento pessoal e social. Toda a envolvência do contexto presencial/físico está cada vez mais, a beneficiar das técnicas multimédia, das ferramentas com variadíssimas funcionalidades e das “regras” e formas de estar, desenvolvidas no contexto virtual. Todas estas possibilidades reflectem-se (promoção de comportamentos cívicos; intervenção social; criação de grupos de pertença; aumento do grau de autonomia; desenvolvimento da capacidade de escolha) em quem as utiliza, particularmente nos adolescentes e jovens devido à fase de “construção” em que se encontram.

As páginas pessoais são igualmente meios de excelência que o adolescente utiliza para construir a sua identidade. Através delas, dá-se a conhecer, faz a sua auto-representação, trata a sua imagem social, promove-a, divulga o seu “eu” (expõe os seus gostos, interesses e sentimentos, aspirações, ideias e opiniões e faz suas auto-reflexões). Através delas cresce, vai formando a sua identidade e faz aprendizagens, torna-se mais seguro e confiante. Para alguns especialistas, os adolescentes são autênticos nos conteúdos das suas intervenções devido às características do estádio de desenvolvimento em que se encontram pelo facto de terem a expectativa de serem reconhecidos e valorizados socialmente pelos outros. A adolescência ao ser uma das fases de desenvolvimento do ser humano, caracteriza-se pela crise de identidade. Nesta fase o indivíduo procura processos de identificação para estar com os que são “iguais” e para validar toda a sua “arquitectura” individual e social. O Blog representa um importante meio na procura e na validação, onde estabelece uma relação com o "eu" e com a multiplicidade dos "outros".

São ainda muitas as questões que se colocam sobre a influência das TIC, na construção da identidade dos adolescentes e jovens. Como sabemos, a construção da identidade é pessoal e social, desenvolvendo-se através da interacção estabelecida entre o indivíduo e o meio/contexto em que está inserido. O “palco” social e a “oficina” social, são “presenciais” e “virtuais” (neste conceito está tudo o que é tecnologia) para os adolescentes que têm acesso a ambos. O adolescente ao movimentar-se nos dois espaços recebe, contribui, e transfere influências entre ambos. Desta forma vai construindo o seu referencial, o qual é diferente do referencial do adolescente que apenas tem acesso ao espaço “presencial”. Sendo o grupo, um lugar privilegiado para o adolescente na fase de construção da sua identidade e havendo a possibilidade de estar em interacção com este, para além do espaço físico, estar em outro espaço baseado nas TIC (com características especificas, com normas próprias, com estímulos contextualizados, exigindo conhecimentos e competências específicas, contribuindo para o desenvolvimento cognitivo e emocional, possibilitar “a presença ausente”…) necessariamente terá de ter reflexos na identidade. Os estudos que estão a ser feitos e que continuarão a ser realizados, terão as respostas às questões que actualmente ainda vamos colocando. Outro aspecto de relevar são as percepções com que ficam devido à velocidade inerente às TIC, à disponibilidade, à facilidade de acesso e à lógica racional. A cultura digital (com primazia para a comunicação), exige uma lógica racional hipertextual, “ora está aqui, ora está ali, ora volta de novo para aqui…”, diferente daquela a que estamos habituados que é linear e sequencial. Estes factores influenciam a sua personalidade, a identidade, as ambições, as “visões” etc.

Actualmente, os jovens dispõem de um número significativo de técnicas/ferramentas (sem custos e de forma rápida), que muito contribuem para o seu desenvolvimento cognitivo, emocional e social e que influenciam a construção da sua identidade. Através de um clique e sentados confortavelmente no sofá, fazem e podem desfazer relações, alteram o perfil, mudam as imagens, usam vários nicknames, etc. Toda esta facilidade, imprime acção, rapidez, estímulo e influência o “ser” e o “estar”.

No campo educacional, estes media digitais poderão ser integrados e aumentar a eficiência e eficácia do ensino e da aprendizagem. Os adolescentes e jovens sentem-se mais ligados ao seu “ambiente” de socialização e de aprendizagem informal. Poderão contribuir para ambientes de ensino e aprendizagem mais enriquecedores e motivadores.

Uma ferramenta que também foi abordada foi o backchannel, que permite a criação de uma sala de chat, visando rentabilizar e melhorar a aprendizagem e contribui para envolver os estudantes e os professores. Decorrente da sua aplicação, potencia a comunidade de aprendizagem, proporcionando sessões mais activas e colaborativas. Os aprendentes adquirem conhecimentos e desenvolvem competências individuais e sociais.

A utilização dos media digitais, assim como de outros contextos em que se movimentam os adolescentes, exige regras e cuidados para os quais estes devem estar alertados e serem conhecedores. Nesta fase de transição, em que o “saber” e o “saber fazer” de muitos educadores, no âmbito dos media digitais, é igual ou inferior ao dos adolescentes, estes não podem ser tecnicamente orientadores, mas deverão continuar a sê-lo ao nível dos valores e comportamentos.

Trabalho desenvolvido
Desenvolvi parte da actividade individualmente (não houve mais elementos a escolher o texto 4 e consequentemente a inscrever-se na constituição do grupo), a qual constou na realização da síntese, dos resultados e das conclusões do texto 4, Stald, G. (2008). Mobile Identity: Youth, Identity, and Mobile Communication Media. In Youth, Identity, and Digital Media: 143-164, e participei no fórum de discussão, onde foram debatidas as análises e conclusões dos trabalhos de todos os grupos.

Dificuldades sentidas durante a realização das actividades
Não tive dificuldades na realização das actividades, apenas houve necessidade de investir mais tempo devido ao facto de estar a desenvolver o trabalho individualmente.

Pertinência das actividades para a aprendizagem
A leitura e a elaboração da síntese (com a identificação dos resultados e das conclusões) foi uma actividade enriquecedora pelo conteúdo em causa. A discussão gerada de uma forma global, foi uma das actividades mais interessantes devido ao facto de cada grupo ter desenvolvido o trabalho sobre sub-temáticas diferentes, facto que contribuiu para aumentar a informação disseminada, a construção de maior conhecimento e eventualmente para a diminuição da repetição de conteúdo na discussão.

UTILIZAÇÃO SOCIAL DOS MEDIA DIGITAIS: A PERSPECTIVA DOS JOVENS

Tema: Entrevista a Jovens sobre a Utilização Social dos Media Digitais

Objectivo: Identificar as marcas identitárias da adolescência em sites sociais de jovens.

Competências: Analisar e interpretar a perspectiva juvenil acerca da utilização social dos media digitais.

Actividades: Elaboração de um guião de entrevista por todo o grupo/turma; realização do trabalho de aplicação do guião em pequenos grupos; efectuar 3 entrevistas; tratamento dos dados recolhidos e disponibilização dos trabalhos para todo o grupo/turma, seguido de discussão.

Duração: De 10 de Maio a 19 de Junho

Recursos de Aprendizagem: Todos os textos dos Temas 2 e 3.
Fonte: Silva, M., 2010, UC Médias Digitais e Socialização, Plataforma de aprendizagem da Universidade Aberta

Aprendizagens efectuadas
Nesta temática, as aprendizagens efectuadas decorreram da reflexão efectuada sobre as respostas obtidas/evidências recolhidas no trabalho de pesquisa, dos estudos e literatura consultada.

Os trabalhos efectuados contribuíram para confirmar a maioria dos elementos já identificados nas temáticas anteriores (e na literatura existente e estudos analisados) caracterizadores da “relação” dos adolescentes com os media digitais/redes sociais/internet e serviu também para proporcionar evidências desta relação sob a sua perspectiva (apesar do número reduzido de entrevistas e de não ser representativo).

Verificou-se um conjunto de resultados gerais comuns e idênticos a todos os trabalhos e apenas alguns elementos diferenciadores. Estes últimos estarão eventualmente relacionados com a idade e condições sócio-económicas (estas de dedução duvidosa face à falta de elementos suficientemente caracterizadores). Eventualmente em estudos futuros se a faixa etária for mais estratificada (10-12/13-15/16-17), obter-se-ão resultados diferenciadores entre os vários grupos de idade, assim como, se forem efectuados em diferentes contextos sócio-economicos e culturais (rurais e urbanos).

Ficou claro que os jovens utilizam os media digitais sobretudo para comunicarem e obterem alguma informação e estes fazem parte da seu processo de socialização.
São já alguns os estudos efectuados sobre este assunto e muitos mais serão feitos, esta problemática tem muitas variáveis.

Das análises efectuadas e dos resultados obtidos (comuns e específicos), constata-se:
• Têm acesso a computador, telemóvel e Internet;
• Acedem à Internet, em média, 2 a 3 horas por dia; o tempo médio vai aumentando com a idade; os mais velhos passam mais tempo na Internet do que os mais novos;
• Utilizam os medias digitais para comunicarem com amigos, colegas e familiares;
• Usam as redes sociais essencialmente para se socializarem e como entretenimento; nestas relacionam-se com conhecidos, amigos e alguns desconhecidos; relacionam-se fundamentalmente com quem conhecem presencialmente; o número de elementos da comunidade online, vai aumentando com o crescimento do adolescente, passa a incluir outras pessoas, para além dos amigos e conhecidos presencialmente;
• Comunicam de forma síncrona e assíncrona;
• Os “meios” mais utilizados para comunicarem são: MSN, o Facebook e o Hi5 (este último é mais utilizado, pelos mais velhos);
• Utilizam o nome e nicknames (a maioria) para comunicar;
• Um número reduzido tem página pessoal (blog ou site); são pouquíssimos os que se preocupam com a sua actualização;
• Não são controlados pelos pais/educadores na utilização que fazem dos media digitais (telemóvel, pesquisas na Internet, comunicação estabelecida via Internet/interacções nas redes sociais…); quanto muito, os mais novos são controlados no tempo que dedicam à sua utilização ou no custo consumido;
• Os motivos que os levam a aceder à utilização dos media são essencialmente ao nível da procura de interacção e de pesquisa de informação lúdica e de entretenimento e menos (é secundário) ao nível da informação técnica e científica e de estudo (nesta última os adolescentes manifestam algumas diferenças conforme as idades);
• Manifestam vontade e gosto por experimentar espaços virtuais novos mas desinteressam-se com alguma facilidade dos meios que requerem controlo e acção contínua por exemplo a actualização das páginas pessoais (este desinteresse latente é uma variável considerada em estudos de comunicação multimédia);
• Referem desconhecer medidas de segurança na Internet, mas alguns manifestam na sua acção algumas preocupações (como por exemplo não prestar informações pessoais, relacionarem-se com quem conhecem presencialmente) e consciência da necessidade de requisitos de segurança; o conceito de segurança também é diferente conforme a idade do adolescente (para os mais novos relaciona-se com a segurança dos dados/da informação e para os mais velhos com a preservação da identidade e de elementos pessoais nas relações que estabelece neste espaço público);
• A maioria consulta e segue alguns blogs; os mais novos, quando fazem comentários é essencialmente com um objectivo lúdico de entretenimento; os mais velhos dão mais valor aos tipos de comentários e participam com maior regularidade;
• Os pais não conhecem as passwords de acesso;
• Entre o computador e o telemóvel a maioria prefere o computador devido à sua abrangência de funcionalidades (algumas jovens preferem o telemóvel por permitir estarem sempre contactáveis de forma mais acessível); despendem muito tempo no computador essencialmente para fazerem downloads e para jogarem.

Decorrente dos resultados e das conclusões das entrevistas e dos estudos analisados, outros pontos foram objecto de reflexão e de reanálise (alguns dos quais já abordados na temática anterior):
• Os adolescentes devem ter o conhecimento de regras mínimas de segurança para navegarem nas redes sociais; este assunto, pode ser um dos temas a abordar nas escolas junto dos adolescentes e dos pais e educadores (as crianças e os adolescentes oriundos das classes com menos rendimentos económicos e com menores condições sociais estarão mais expostas, grande parte dos os seus progenitores não têm conhecimento e acesso às TIC );
• Formar os educadores na utilização das TIC; alguns educadores não conhecem nem acedem às TIC, facto que condiciona o seu papel de orientadores e “porto de abrigo” na utilização dos media digitais pelos mais novos; estes adultos necessitam de adquirir conhecimentos para terem um papel eficaz, neste âmbito, junto dos mais novos;
• Os pais são responsáveis juridicamente pela utilização que os seus filhos fazem das redes sociais e da Internet;
• Os media digitais estão a interferir no processo de construção da identidade e também no processo de construção do conhecimento; este facto deve ser considerando pelo sistema de ensino formal e pelos agentes directos da implementação do sistema: conceptores de currículos escolares, professores e também pais;
• O processo que estamos a viver relativamente à utilização e relação dos jovens com as tecnologias é irreversível, a todos níveis, os decisores e os operacionais dos modelos de ensino e aprendizagem, têm de considerar este novo contexto;
• Os agentes directos da "instrução" junto dos adolescentes, devem criar estratégias de ensino e de aprendizagem e utilizarem metodologias pedagógicas com recurso aos media digitais, visando facilitar a aprendizagem e a eficácia do processo de ensino e aprendizagem (a utilização das redes sociais contribui para a criação de comunidades de aprendizagem colaborativas, onde existe partilha e reflexões entre estudantes e professor(es) de uma disciplina, escola ou entre escolas; as diversas ferramentas de comunicação assíncrona e síncrona, as de partilha de documentos, as de construção de documentos, a utilização do jogo e simuladores, entre outras, podem ser integradas nas estratégias educativas e os adolescentes integrarem-se de forma fácil no ambiente que já conhecem (embora com outros objectivos));
• O conhecimento que os adolescentes e os jovens possuem na utilização dos media digitais não pode ser desperdiçado no contexto educativo e formal, de ensino;
• Os media digitais têm impacto na construção da identidade do adolescente; até onde vai esse impacto? muitos estudos ainda são “tímidos”, embora alguns já elencam alguns elementos como por exemplo os que são referidos por alguns psicanalistas sobre a geração nascida nos anos 90 e que  consta na nota efectuada na temática anterior.



Trabalho desenvolvido
Colaborei na elaboração do guião de entrevista, elaborado na wiki do Moodle. Desenvolvi a actividade de grupo integrada no Grupo Reggae, com mais três colegas. Participei no fórum de discussão tendo optado por uma breve intervenção global (após a análise das mensagens já existentes nomeadamente nos fóruns de grupo, verifiquei que o conteúdo dos fóruns estava a tornar-se repetitivo devido à semelhança e aproximação existente nas conclusões obtidas).

Dificuldades sentidas durante a realização das actividades
Não foram identificadas dificuldades ao nível da interacção nem técnico. No início do trabalho prático, pareceu-me que o conteúdo do guião era muito genérico para o objectivo pretendido o qual me parecia mais restrito e focalizado (identificar as marcas identitárias da adolescência em sites sociais de jovens) mas com o desenvolvimento esta diferenciação aproximou-se.

Pertinência das actividades para a aprendizagem
As actividades propostas foram adequadas para os objectivos pretendidos: na elaboração do guião reflectiu-se sobre o que questionar aos adolescentes e jovens, esta acção contribuiu para nova reflexão sobre aprendizagens já efectuadas de forma a que as questões fossem pertinentes e adequadas ao contexto e destinatários; o tratamento dos dados recolhidos e as conclusões obtidas contribuiram para conhecer mais sobre o contexto em que se movem os adolescentes e os jovens no que respeita aos media digitais/redes sociais/internet/ relacionamento e para confirmar algumas linhas de orientação identificadas anteriormente sobre os comportamentos dos adolescentes e dos jovens relativamente ao uso que fazem dos media digitais e conhecer de forma directa a sua perspectiva; a discussão sobre as conclusões dos trabalhos serviu para confirmar a informação obtida e reforçar algumas preocupações.

"BALANÇO" DO PERCURSO DE APRENDIZAGEM

Considero que as temáticas abordadas foram muito interessantes, fundamentalmente pelo conhecimento adquirido e pelo espaço de reflexão que proporcionaram. Decorrente da reflexão efectuada, tomei consciência da necessidade de alterar alguns comportamentos e a minha posição, relativamente à relação estabelecida pelos jovens com os media digitais e interiorizei reforçando um conjunto de ideias sobre a minha prática na utilização dos media digitais.

Esta UC, foi uma fonte de informação sistematizada com reflexos muito positivos no âmbito pessoal (tenho-me movimentado em ambientes e espaços distantes do meio social das crianças, dos adolescentes e dos jovens. Através dos conteúdos e das discussões geradas, adquiri e reflecti sobre um conjunto de elementos aos quais não dava a devida importância, nomeadamente à relação "intíma" que as crianças, adolescentes e jovens têm com os media digitais).

Ao analisar o meu percurso, em todo o processo de desenvolvimento desta Unidade Curricular, faço  dois tipos de avaliação: uma genérica, a qual permite-me afirmar que os objectivos propostos na UC e os identificados por mim foram atingidos; e outra mais restrita, mais circunscrita: considero que a minha participação nos trabalhos de grupo correspondeu às tarefas adjudicadas, ao contexto/ambiente pretendido e atitude e postura pretendida, nos fóruns de discussão fiz acompanhamento de forma contínua e participei em todos os fóruns (umas vezes não participei por "falta" de tempo na preparação das intervenções, outras vezes por não querer fazer mais uma intervenção que seria repetitiva face ao que já tinha sido exposto, ou ainda porque considerava que o assunto já estava debatido e claro e não necessitava de mais discussão. Nestas últimas situações, opto normalmente por não intervir para que a discussão mantenha-se focalizada e objectiva, interessante, significativa e não seja repetitiva e se "alongue" desnecessariamente).

A estratégia de ensino e aprendizagem elaborada  - temas, recursos disponibilizados, tipo de actividades (com diversificação e coerência na sequência), tipo de interacção solicitado (entre o individual e o colectivo) -  e implementada foi determinante para a obtenção de aprendizagens significativas.

Para todo o trabalho de análise, reflexão e interiorização, foi de extrema importância a comunidade de aprendizagem criada, em que cada membro contribuiu para construir conhecimento de forma colaborativa.

No "espaço" de trabalho de grupo, partilharam-se experiências e saber, fizeram-se análises e reflexões e tomaram-se decisões, num ambiente de cooperação, de colaboração e espírito de entreajuda. De uma forma genérica, nos fóruns de discussão, as intervenções  efectuadas demonstraram capacidade crítica, foram acompanhadas de fundamentação, efectuaram-se explorações decorrentes dos assuntos em reflexão, aceitaram-se diferentes perspectivas sobre os assuntos em debate, fez-se partilha de experiências e recursos pesquisados.

Finalizo esta apreciação genérica, agradecendo a contribuição da professora Maria João Silva, pelas situações de aprendizagem proporcionadas e a dos colegas pelo trabalho desenvolvido, pela informação partilhada, pelas reflexões efectuadas e perspectivas apresentadas, pelo conhecimento construído e pelo ambiente criado. 




Os meus agradecimentos.


Conhecimentos teóricos adquiridos
Os conhecimentos teóricos, adquiridos, foram muitos e diversos. Em cada item temático estão "grosso modo" identificados. Acrescento apenas que para além dos conhecimentos adquiridos esta UC contribuiu fundamentalmente para incorporar reflexões e potenciar competências.

Pertinência da UC para a minha formação
O conteúdo da UC foi muito pertinente para a minha formação pessoal, pelos conhecimentos adquiridos e por potenciar as competências. Gostaria que esta UC fosse transversal às várias idades, isto é, que também abrange-se os media digitais na "socialização" dos adultos (incluindo os idosos). Considerando que a educação/formação é um processo cada vez mais permanente e contínuo para todos nós, esta incorporação seria uma "mais valia" para os participantes/estudantes que trabalham com adultos.

Aspectos positivos
As situações de aprendizagem proporcionadas, o nível de discussão, a diversidade de perspectivas, a partilha e o ambiente colaborativo.

Aspectos negativos da UC
Não tenho qualquer elemento negativo a identificar ou a destacar.

Sugestões
Faço duas sugestões:
 - com o objectivo de evitar ou reduzir a repetição de conteúdo nas discussões (embora todas estas temáticas estejam associadas de "forma muito intrínseca") seria vantajoso delinear/identificar mais marcas/"fronteiras" entre as temáticas;
- eventualmente a entrevista a efectuar, se for mais estratificada por idades, poderá contribuir com elementos mais diferenciadores e enriquecer a discussão. 

Dificuldades sentidas
De uma forma genérica, não senti  dificuldades relevantes que mereçam destaque e que tenham condicionado a aprendizagem ou a minha contribuição. Considero que face às variáveis de ordem  pessoal que ocorreram e que tiveram de ser geridas, o percurso desenvolvido foi adequado.