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Está num espaço de aprendizagem da Unidade Curricular (UC) "Media Digitais e Socialização". Neste espaço estão sintetizadas as actividades e as aprendizagens efectuadas e os sentimentos que vivenciei entre Março e Julho de 2010 enquanto estudante desta UC, do Mestrado de Comunicação Educacional Multimédia, da Universidade Aberta (Lisboa, Portugal).

Imab

quarta-feira, 14 de julho de 2010

IDENTIDADE SOCIAL NA ADOLESCÊNCIA

Tema: Discussão do Processo de Construção da Identidade na Adolescência

Objectivo: Identificar as características e discutir o processo de construção de identidade na adolescência.

Competências: Analisar o processo de construção da identidade durante o período da adolescência.
Actividades: Leitura e síntese dos textos disponibilizados nos recursos de aprendizagem e discussão no fórum sobre o conteúdo dos textos.

Duração: De 29 de Março a 18 de Abril.

Recursos de Aprendizagem: Huffaker, D.; Calvert, S. (2008). Gender, Identity and Language Use in Teenage Blogs. In Journal of Computater-Mediated Comunication, 10 (2), article 1.
Schmitt, K.; Dayanim, S.; & Matthias, S. (2008). Personal Homepage Construction as an Expression of Social Development. In Development Psychology, 44 (2), 496-506.

Recurso Complementar: Schoen-Ferreira, T.; Aznar-Faria, M.; Silvares, E. (2003). A construção da identidade em adolescentes: Um estudo exploratório. In Estudos de Psicologia, 8 (1), 107-115.
Fonte: Silva, M., 2010, UC Médias Digitais e Socialização, Plataforma de aprendizagem da Universidade Aberta

Aprendizagens efectuadas
De acordo com Erik Erikson, a construção da identidade passa por um processo de identificação e por um processo de diferenciação. Este processo de construção da identidade não é algo que inicia e acaba com a adolescência, é um processo contínuo de interacção de equilíbrio e desiquilibrio ao longo da nossa vida, que integra mudanças pessoais e diversas ocorrências, no entanto, é na adolescência que este processo ganha importância, é mais marcado e assume características particulares marcando a passagem de um estádio de maior dependência para um estádio de conquista de maior independência. A criança que era e que agora é adolescente tem maiores capacidades para agora reflectir.

A criança passa ao estádio de adolescente quando o seu fisíco começa a manifestar transformações, quando este é também acompanhado pelo desenvolvimento cognitivo e pelo desenvolvimento da personalidade (interesse pelo eu, alterações no relacionamento com os adultos, particularmente com os familiares mais próximos, e pela valorização dos amigos e grupo de pertença).

Seguindo Erikson a construção da identidade ”implica em definir quem é a pessoa que é, quais são os valores e quais as direcções que deseja seguir na vida”. A construção da identidade no adolescente decorre de factores pessoais (intrapessoais: capacidades inatas do indivíduo e as adquiridas da personalidade) e sociais (interpessoais: identificação com outros; e culturais: valores sociais) e tem uma função psicológica e social, isto é, o adolescente desenvolve-se psicologicamente para assumir esta transformação e ao fazê-lo terá de ser adequada à sociedade onde está integrado.

O adolescente gradualmente vai estabelecendo vínculos fora do seio familiar, com outros adolescentes, com amigos, integrando o grupo com o qual se identifica e atribui-lhes muito valor e relevância. No seio do grupo procura ser aceite e construir a sua identidade. O adolescente experimenta atitudes, comportamentos e desafios novos, faz introspecções e reflexões.

De acordo com Erikson e face às incertezas constantes com que vive o adolescente, o grupo tem um papel fundamental na estabilidade e na procura da certeza, mas também pode ser negativo se o estado de dependência em relação ao grupo for demasiado elevado. Para Erikson a crise da adolescência desenvolve-se entre dois vectores, identidade versus difusão ou confusão. Durante este processo interactivo o adolescente também cria os seus estereótipos de grupo e sociais.

Outros autores (Marcial) referem que existem duas dimensões fundamentais que contribuem para a construção da identidade do adolescente: a crise ou exploração (está relacionado com a tomada de decisão relativamente a valores e escolhas já efectuadas no passado e que geram conflito interno de forma intensa ou gradual) e o comprometimento ou compromisso (está relacionado com a decisão tomada que lhe parece ser segura e que serve de orientação para a acção. Está relacionado com o que valoriza mais para si).

No final deste estádio, o adolescente sente indicadores de equilíbrio que lhe permitem sentir uma "continuidade interna" e "uma continuidade do que ele significa para as outras pessoas" como refere Erickson.

Actualmente em todo este contexto de construção da identidade por parte do adolescente, têm de ser considerados no grupo dos factores externos, as TIC (tecnologias de informação e comunicação). Estes meios e os factores decorrentes da sua utilização influenciam a construção da identidade dos jovens. Esta constrói-se sobretudo na interacção com os outros e as TIC possibilitam o aumento e multiplicação da interacção. Provavelmente no contexto presencial a interacção é mais diversificada (com outras pessoas idades diferentes) do que no contexto virtual em que as relações estão mais limitadas a outros adolescentes.

Na opinião de alguns psicanalistas, a geração nascida depois dos anos 90 poderá estar a construir uma visão deturpada do mundo (?) e da sua própria identidade (?): movimentam-se num “espaço” onde tudo é alterado de forma frequente e facilmente; onde as relações facilmente começam e acabam (basta um clique); podem mudar de perfil trocando a informação sobre a identidade de forma rápida; a rotina da vida real e os relacionamentos reais têm um ritmo menos acelerado e este facto pode provocar frustrações e desmotivação reflectindo-se no comportamento; estão habituados a dominar a sua identidade no ambiente virtual quando se movimentam no ambiente real podem estar mais vulneráveis;...entre outros aspectos.
Os adolescentes comunicam na Internet, nas redes sociais, de uma forma generalizada, através da linguagem com que se identificam nas relações interpessoais que estabelecem com os seus conhecidos e amigos. Tem marcas fortes de oralidade, da linguagem que utilizam presencialmente: gíria, símbolos e pontuação excessiva. Nos estudos de Huffaker e Calvert constataram esta associação. É através desta linguagem que o adolescente expressa as suas angústias, tristezas, alegrias, a sua individualidade, que integra-se e constrói a sua identidade interagindo no ambiente virtual utilizando os diversos meios. Recolhe informação, convive, explora alternativas, e segue a “ actualidade”. Este contexto também contribui para a aproximação e "esbatimento" de diferenças sociais que até aqui eram facilmente categorizadas e que influenciam a construção da identidade.

A maioria dos adolescentes mantêm a escrita formal em contextos que exigem a mesma. Têm consciência desta diferença e exigência.

De acordo com os estudos de Huffaker (2008) e Schmidt (2008) as páginas pessoais dos adolescentes têm um papel relevante na construção da sua identidade. Usam-na para expressarem-se, socializarem-se e confidenciarem. Partilham alguns pormenores sobre a sua identidade (identificação do primeiro nome (70%), o nome completo (para os iniciados) (20%), a idade (67%), o endereço de e-mail ou instant messsenger ou link para o blog (61%)), a sua sexualidade e outros elementos emocionais. Genericamente a ideia que transmitem da sua própria imagem é positiva. Verificam-se pequeníssimas diferenças (são extremamente insignificantes) entre os rapazes e as raparigas,  na forma como demonstram as emoções, o que partilham relativamente aos dados pessoais e o tipo de linguagem. A construção destas páginas também proporciona-lhes segurança (e competências) e valorização da sua auto-estima. São espaços de utilização fácil e simples, que permitem a actualizações de forma rápida, assim como o arquivo de informação, que possibilitam a comunicação assíncrona e a formação de grupos online com os mesmos interesses.

Por outro lado, o anonimato que a Internet também possibilita, proporciona ao adolescente condições para explorar a sua identidade, assumindo outras personagens e papéis e construir também o seu imaginário. Estas possibilidades influenciam o seu comportamento.

Actualmente existe uma grande preferência por parte dos adolescentes pela utilização e participação em redes sociais, particularmente pelo Facebook e H5. Este facto deve-se a que estas possibilitam mensagens curtas, rápidas e estão integradas com outros dispositivos móveis por exemplo com o telemóvel. A participação nas comunidades sociais contribuem igualmente para a sua socialização e integração no grupo.

Outro aspecto, que também foi objecto de reflexão no âmbito desta temática, foi a diferença de conhecimentos sobre os meios virtuais existente entre educadores e educandos/adolescentes. Este facto conduz a dificuldades de comunicação, dado que a “linguagem” utilizada é distante e este facto tem significativas consequências neste estádio de desenvolvimento do adolescente.

Trabalho desenvolvido
Efectuei as leituras propostas e fiz as sínteses dos dois textos. Fiz pesquisa sobre o assunto estando alguns dos recursos identificados no tópico dos recursos. No âmbito do fórum de discussão fiz a intervenção que considerei adequada ao assunto no momento em que a emiti.

Dificuldades sentidas durante a realização das actividades
A forma como teve início o fórum de discussão dispersou-me um pouco, devido ao elevado número de tópicos abertos. Rapidamente contextualizei-me e posicionei-me face ao objectivo pretendido. No período em que decorreu a temática estava com pouquissíma disponibilidade.

Pertinência das actividades para a aprendizagem
As actividades desenvolvidas (leituras, síntese e discussão) foram adequadas ao objectivo da temática em causa. Através destas fez-se a integração na problemática da construção da identidade por parte dos adolescentes nos "nossos dias" e decorrente desta, analisou-se e discutiu-se a influência das TIC neste estádio de desenvolvimento do adolescente.

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