Tema: Entrevista a Jovens sobre a Utilização Social dos Media Digitais
Competências: Analisar e interpretar a perspectiva juvenil acerca da utilização social dos media digitais.
Actividades: Elaboração de um guião de entrevista por todo o grupo/turma; realização do trabalho de aplicação do guião em pequenos grupos; efectuar 3 entrevistas; tratamento dos dados recolhidos e disponibilização dos trabalhos para todo o grupo/turma, seguido de discussão.
Duração: De 10 de Maio a 19 de Junho
Recursos de Aprendizagem: Todos os textos dos Temas 2 e 3.
Fonte: Silva, M., 2010, UC Médias Digitais e Socialização, Plataforma de aprendizagem da Universidade Aberta
Aprendizagens efectuadas
Nesta temática, as aprendizagens efectuadas decorreram da reflexão efectuada sobre as respostas obtidas/evidências recolhidas no trabalho de pesquisa, dos estudos e literatura consultada.
Os trabalhos efectuados contribuíram para confirmar a maioria dos elementos já identificados nas temáticas anteriores (e na literatura existente e estudos analisados) caracterizadores da “relação” dos adolescentes com os media digitais/redes sociais/internet e serviu também para proporcionar evidências desta relação sob a sua perspectiva (apesar do número reduzido de entrevistas e de não ser representativo).
Verificou-se um conjunto de resultados gerais comuns e idênticos a todos os trabalhos e apenas alguns elementos diferenciadores. Estes últimos estarão eventualmente relacionados com a idade e condições sócio-económicas (estas de dedução duvidosa face à falta de elementos suficientemente caracterizadores). Eventualmente em estudos futuros se a faixa etária for mais estratificada (10-12/13-15/16-17), obter-se-ão resultados diferenciadores entre os vários grupos de idade, assim como, se forem efectuados em diferentes contextos sócio-economicos e culturais (rurais e urbanos).
Ficou claro que os jovens utilizam os media digitais sobretudo para comunicarem e obterem alguma informação e estes fazem parte da seu processo de socialização.
São já alguns os estudos efectuados sobre este assunto e muitos mais serão feitos, esta problemática tem muitas variáveis.
• Têm acesso a computador, telemóvel e Internet;
• Acedem à Internet, em média, 2 a 3 horas por dia; o tempo médio vai aumentando com a idade; os mais velhos passam mais tempo na Internet do que os mais novos;
• Utilizam os medias digitais para comunicarem com amigos, colegas e familiares;
• Usam as redes sociais essencialmente para se socializarem e como entretenimento; nestas relacionam-se com conhecidos, amigos e alguns desconhecidos; relacionam-se fundamentalmente com quem conhecem presencialmente; o número de elementos da comunidade online, vai aumentando com o crescimento do adolescente, passa a incluir outras pessoas, para além dos amigos e conhecidos presencialmente;
• Comunicam de forma síncrona e assíncrona;
• Os “meios” mais utilizados para comunicarem são: MSN, o Facebook e o Hi5 (este último é mais utilizado, pelos mais velhos);
• Utilizam o nome e nicknames (a maioria) para comunicar;
• Um número reduzido tem página pessoal (blog ou site); são pouquíssimos os que se preocupam com a sua actualização;
• Não são controlados pelos pais/educadores na utilização que fazem dos media digitais (telemóvel, pesquisas na Internet, comunicação estabelecida via Internet/interacções nas redes sociais…); quanto muito, os mais novos são controlados no tempo que dedicam à sua utilização ou no custo consumido;
• Os motivos que os levam a aceder à utilização dos media são essencialmente ao nível da procura de interacção e de pesquisa de informação lúdica e de entretenimento e menos (é secundário) ao nível da informação técnica e científica e de estudo (nesta última os adolescentes manifestam algumas diferenças conforme as idades);
• Manifestam vontade e gosto por experimentar espaços virtuais novos mas desinteressam-se com alguma facilidade dos meios que requerem controlo e acção contínua por exemplo a actualização das páginas pessoais (este desinteresse latente é uma variável considerada em estudos de comunicação multimédia);
• Referem desconhecer medidas de segurança na Internet, mas alguns manifestam na sua acção algumas preocupações (como por exemplo não prestar informações pessoais, relacionarem-se com quem conhecem presencialmente) e consciência da necessidade de requisitos de segurança; o conceito de segurança também é diferente conforme a idade do adolescente (para os mais novos relaciona-se com a segurança dos dados/da informação e para os mais velhos com a preservação da identidade e de elementos pessoais nas relações que estabelece neste espaço público);
• A maioria consulta e segue alguns blogs; os mais novos, quando fazem comentários é essencialmente com um objectivo lúdico de entretenimento; os mais velhos dão mais valor aos tipos de comentários e participam com maior regularidade;
• Os pais não conhecem as passwords de acesso;
• Entre o computador e o telemóvel a maioria prefere o computador devido à sua abrangência de funcionalidades (algumas jovens preferem o telemóvel por permitir estarem sempre contactáveis de forma mais acessível); despendem muito tempo no computador essencialmente para fazerem downloads e para jogarem.
Decorrente dos resultados e das conclusões das entrevistas e dos estudos analisados, outros pontos foram objecto de reflexão e de reanálise (alguns dos quais já abordados na temática anterior):
• Os adolescentes devem ter o conhecimento de regras mínimas de segurança para navegarem nas redes sociais; este assunto, pode ser um dos temas a abordar nas escolas junto dos adolescentes e dos pais e educadores (as crianças e os adolescentes oriundos das classes com menos rendimentos económicos e com menores condições sociais estarão mais expostas, grande parte dos os seus progenitores não têm conhecimento e acesso às TIC );
• Formar os educadores na utilização das TIC; alguns educadores não conhecem nem acedem às TIC, facto que condiciona o seu papel de orientadores e “porto de abrigo” na utilização dos media digitais pelos mais novos; estes adultos necessitam de adquirir conhecimentos para terem um papel eficaz, neste âmbito, junto dos mais novos;
• Os pais são responsáveis juridicamente pela utilização que os seus filhos fazem das redes sociais e da Internet;
• Os media digitais estão a interferir no processo de construção da identidade e também no processo de construção do conhecimento; este facto deve ser considerando pelo sistema de ensino formal e pelos agentes directos da implementação do sistema: conceptores de currículos escolares, professores e também pais;
• O processo que estamos a viver relativamente à utilização e relação dos jovens com as tecnologias é irreversível, a todos níveis, os decisores e os operacionais dos modelos de ensino e aprendizagem, têm de considerar este novo contexto;
• Os agentes directos da "instrução" junto dos adolescentes, devem criar estratégias de ensino e de aprendizagem e utilizarem metodologias pedagógicas com recurso aos media digitais, visando facilitar a aprendizagem e a eficácia do processo de ensino e aprendizagem (a utilização das redes sociais contribui para a criação de comunidades de aprendizagem colaborativas, onde existe partilha e reflexões entre estudantes e professor(es) de uma disciplina, escola ou entre escolas; as diversas ferramentas de comunicação assíncrona e síncrona, as de partilha de documentos, as de construção de documentos, a utilização do jogo e simuladores, entre outras, podem ser integradas nas estratégias educativas e os adolescentes integrarem-se de forma fácil no ambiente que já conhecem (embora com outros objectivos));
• O conhecimento que os adolescentes e os jovens possuem na utilização dos media digitais não pode ser desperdiçado no contexto educativo e formal, de ensino;
• Os media digitais têm impacto na construção da identidade do adolescente; até onde vai esse impacto? muitos estudos ainda são “tímidos”, embora alguns já elencam alguns elementos como por exemplo os que são referidos por alguns psicanalistas sobre a geração nascida nos anos 90 e que consta na nota efectuada na temática anterior.
Trabalho desenvolvido
Colaborei na elaboração do guião de entrevista, elaborado na wiki do Moodle. Desenvolvi a actividade de grupo integrada no Grupo Reggae, com mais três colegas. Participei no fórum de discussão tendo optado por uma breve intervenção global (após a análise das mensagens já existentes nomeadamente nos fóruns de grupo, verifiquei que o conteúdo dos fóruns estava a tornar-se repetitivo devido à semelhança e aproximação existente nas conclusões obtidas).
Dificuldades sentidas durante a realização das actividades
Não foram identificadas dificuldades ao nível da interacção nem técnico. No início do trabalho prático, pareceu-me que o conteúdo do guião era muito genérico para o objectivo pretendido o qual me parecia mais restrito e focalizado (identificar as marcas identitárias da adolescência em sites sociais de jovens) mas com o desenvolvimento esta diferenciação aproximou-se.
Pertinência das actividades para a aprendizagem
As actividades propostas foram adequadas para os objectivos pretendidos: na elaboração do guião reflectiu-se sobre o que questionar aos adolescentes e jovens, esta acção contribuiu para nova reflexão sobre aprendizagens já efectuadas de forma a que as questões fossem pertinentes e adequadas ao contexto e destinatários; o tratamento dos dados recolhidos e as conclusões obtidas contribuiram para conhecer mais sobre o contexto em que se movem os adolescentes e os jovens no que respeita aos media digitais/redes sociais/internet/ relacionamento e para confirmar algumas linhas de orientação identificadas anteriormente sobre os comportamentos dos adolescentes e dos jovens relativamente ao uso que fazem dos media digitais e conhecer de forma directa a sua perspectiva; a discussão sobre as conclusões dos trabalhos serviu para confirmar a informação obtida e reforçar algumas preocupações.


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